VIOLÊNCIA CONTRA MULHER: O PERIGO NÃO ESTÁ APENAS NAS RUAS

Com delegacias pró-mulher em várias cidades da região, moradoras do Alto Tietê ainda não se sentem seguras em casa.

Carolina Kiuchi e Regiane Barros (3ºA)

Levantamento feito pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) em 2014 mostrou que Mogi das Cruzes se tornou a cidade mais violenta do Alto Tietê, somando um total de 9734 crimes no ano. Houve um aumento de quase 5% na taxa de criminalidade da cidade. Dentro desses números, cresceu também os casos de violência contra as mulheres, sendo os de violência doméstica e sexual as mais registradas; de acordo com os dados do Tribunal de Justiça de São Paulo, houve um aumento de aproximadamente 17% na quantidade de processos de violência doméstica.

A agressão envolve uma grande variedade de eventos que implicam os cônjuges ou companheiros, tais como: os maus-tratos físicos, os maus-tratos psíquicos ou violência sexual. “As mulheres devem tomar muito cuidado já que os principais agressores estão dentro de casa, se passar pelo problema deve procurar a policia imediatamente, depois ser encaminhada para exames” disse a delegada Valene Bezerra.

Na tentativa aumentar a sensação de segurança em 2015, foi inaugurada, no centro de Suzano, a instalação do Anexo de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.  Segundo o delegado titular Eduardo Peretti Guimarães, a demanda na área é alta, e agora ela conta com estagiárias à disposição das vítimas além de advogadas em horários específicos. O município já contava com um espaço exclusivo para esse tipo de atendimento no 2º DP no bairro da Boa Vista.

A dona de casa, Juliana Soares, residente de Suzano, aprovou incentivo para maior integração das mulheres. “É bom saber que se eu passar por uma situação de violência, posso contar com uma delegacia só pra mulheres, é bem melhor falar sobre isso direto com outra mulher”, afirma.

No entanto, apesar dos diversos incentivos e da diminuição dos índices de abuso, muitas mulheres ainda não se sentem seguras para exporem os atentados que sofrem, principalmente por medo. “Para ter a coragem de denunciar, tive que ter a cabeça aberta. Foram 2 estupros e agressões física, moral e financeiras.” Desabafou A.S., vítima de violência doméstica por 8 anos. “Eu consegui prende-lo em flagrante por 6 vezes, e em todas ele saiu e voltou para minha casa, nunca me avisaram da soltura do mesmo e eu sempre fui pega de surpresa e todas as solturas foram assinadas pela mesma juíza”.

Casos de mulheres como a de A.S não são incomuns. As vítimas precisam sofrer um impacto psicológico demasiado forte para juntarem a coragem de denunciar abuso. “A maioria dos femicídios ocorrem porque a lei incentiva as mulheres a denunciarem, mas não dão a devida segurança” afirmou A.S. As medidas sendo tomadas podem ser muitas, mas ainda carece na sensação de segurança. Por medo de que possam sofrer futuramente, as vítimas preferem se manter caladas.

48% das mulheres agredidas declaram que a violência aconteceu em sua própria residência Fonte : Relatório Central de Atendimento Ligue 180 (janeiro a junho 2014)

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