DESMATAMENTO E FALTA D’ÁGUA: UM ESTÁ LIGADO AO OUTRO

Ambientalista explica as consequências da falta de vegetação em torno das represas

Bruna Ferreira, Jeferson Veras,  Vitória Fiel (3º A)

A falta de água nas represas do Estado de São Paulo está diretamente ligada ao desmatamento da mata ciliar nativa situada no entorno desses reservatórios e barragens. Isso é o que diz um estudo da ONG SOS Mata Atlântica e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Mata ciliar são florestas, ou outros tipos de cobertura vegetal, que ficam nas margens dos rios e represas, em que a mata ciliar serve de proteção ao rio.

Exemplo dessa situação é o caso de um reservatório antigo que ainda abastece a região central de Salesópolis (SP), com 15.576 habitantes. A represa era de uma antiga usina no município. O reservatório é protegido pela mata nativa e fica a cerca de 10 quilômetros da nascente do Rio Tietê. A represa tem captação de 30 litros de água por segundo.

Segundo o ambientalista Helder Wuo, quando cai em área desmatada, a água escorre em todas as direções e ainda causa erosão nas margens. A terra que desliza contribui para o assoreamento do leito. Onde há mata nativa a água forma uma reserva subterrânea. E na estiagem, essa água segue aos poucos para os tanques.

Wuo afirma ainda que situação pode ainda piorar. “Se não recompuser essa vegetação, com certeza esse cenário não vai melhorar. Não vai adiantar construir um monte de reservatórios, se as nascentes não estiverem vivas, explica”. O ambientalista, que já fez parte do comitê de bacias hidrográficas, acompanha a situação das barragens do Sistema Alto Tietê há 10 anos. Na licença de operação de 2004, o Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo se comprometeu a recuperar 30% da mata nativa. Mas o acordo não foi cumprido.

Na represa de Paraitinga, os animais estão sem proteção por falta de vegetação. “A vegetação no entorno de todo o reservatório é aquela existente antes do reservatório, nenhuma árvore foi plantada”, diz o engenheiro. A população local é a que mais sofre, pois a água da chuva que escorre causa uma erosão nas margens, ocorrendo o deslizamento de terra.

Toda área no entorno de uma represa é considerada, por lei, de preservação permanente. Mas, de acordo com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a realidade é outra. Nas represas que formam o sistema Alto Tietê, o segundo mais importante de São Paulo, a área de mata protegida é de pouco mais de nove quilômetros. Desse total, mais de 50% estão ocupados irregularmente. São casas, plantações e pasto. No Cantareira, a situação é ainda mais grave. Só 21,55% da mata nativa em volta dos reservatórios ainda estão de pé. Todo o resto foi destruído, segundo levantamento da ONG SOS Mata Atlântica. Segundo a Lei Estadual 9.866/97, em que estabelece a nova lei de proteção dos mananciais, é de interesse regional para o abastecimento das populações atuais e futuras do estado de São Paulo.

Vegetação em torno da represa Paraitinga, em Salesópolis. Foto: Bruna Ferreira.

Vegetação em torno da represa Paraitinga, em Salesópolis. Foto: Bruna Ferreira.

DAEE e Sabesp
Em nota, o Departamento de Águas e Energia Elétrica informou que em junho de 2014 o governo do Estado assinou o Decreto 60.521/14 criando o Programa Estadual de Incentivo à Restauração das Matas Ciliares. O DAEE e a Sabesp assinaram um oficio juntos sobre o replantio em volta dos reservatórios e em nota a Sabesp diz que esta em andamento com contratações de empresas para o reflorestamento.

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