SECA PREJUDICA ECONOMIA AGRÍCOLA DA REGIÃO

Agricultura foi o ramo mais prejudicado pela crise hídrica e produtores não tem previsão de melhoras

Lílian Pereira, Magda Nathia, Tamires Vichi, Cauê Martinelli (3º A)

Cerca de 80% da economia das cidades de Biritiba Mirim e Salesópolis vem do ramo hortifrutigranjeiro, mas desde o começo do ano se encontra prejudicado pela falta de água. Dados médios da Casa da Agricultura de Biritiba Mirim (CATI) mostram que as perdas foram de 25% a 30% no primeiro trimestre de 2015, o que assusta os produtores rurais, pois o período de verão é o melhor para a venda e consumo. Um sentimento de incerteza chegou junto ao último mês de fevereiro, com notificações de lacração de bombas do DAEE – Departamento de Águas e Energia Elétrica em áreas nas quais produtores não possuem outorga d’água – documento que autoriza a utilização da água retirada por esse recurso.
Com a falta da outorga, os agricultores estão sendo orientados ao Cadastro ATO Declaratório, que é o cadastramento do produtor no sistema do DAEE, informando a quantidade e o tempo de água que utiliza e qual o tipo de plantação, dando um prazo de dois anos para obter a outorga caso o sistema se restabeleça. Ambas as cidades (Biritiba Mirim e Salesópolis) não têm indústrias e a principal renda vem da agricultura.

A falta de água afeta não somente o produtor rural, mas também seus colaboradores e sua família. “É uma questão não somente econômica; pode gerar uma situação social”, afirma o engenheiro agrônomo da CATI, Julio Nagase, que também atendeu muitos agricultores durante os dias difíceis. As cidades já tiveram índices de desemprego, mas a situação não foi tão critica, porém, não sabem o que virá pela frente. Na perspectiva de Nagase, o ano de 2015 pode ser considerado como perdido, não só por questões climáticas, mas também pela economia do país – insumos são dolarizados, o valor do combustível, impostos e energia influenciam no consumo e na produção agrícola.

De acordo com a Lei Nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, a água é um bem de domínio público, e em situações de escassez, o uso prioritário é para o consumo humano – Art 1º I; III. Em cumprimento da lei, o DAEE efetuou a lacração de algumas bombas para controlar o uso da água na região. Nas palavras do agricultor Paulo Cezar, se o órgão governamental mantivesse mantiver a ordem de lacração de bombas não haveria água para irrigação e logo teriam que suspender a produção. O agricultor ainda afirma que nem mesmo as chuvas recentes foram capazes de melhorar a produção: “Com a seca a programação de plantio foi quebrada”, e não se sabe quando poderá se recuperar afinal -“tudo depende do clima”, complementa.

Com a seca a programação de plantio foi quebrada, diz Paulo Cézar. Foto: Lílian Pereira.

Com a seca a programação de plantio foi quebrada, diz Paulo Cézar. Foto: Lílian Pereira.

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